festival de contracultura
pelo TERRITóRIO LIVRe
MANIFESto território livre
estamos reunidos para construir uma alternativa para a produção cultural e para a juventude. se é impossível produzir arte e ser jovem dentro de uma sociedade velha que aboliu a beleza e proibiu os sonhos, nos propomos a produzir e ser jovens exatamente contra essa sociedade e suas proibições, pela beleza, pelos sonhos e pelo futuro!
contra o avanço da barbárie em todas as esferas da vida
todas as partes do planeta se aproximam cada vez mais de um desses pólos da barbárie: ruínas ou shopping. regiões inteiras entram em processo de decadência e abandono e as maiores cidades do brasil e do mundo se constroem já como ruína: uma parte cada vez mais extensa do globo se cobre de favelas, guerras, desemprego em massa, transporte precário, miséria, epidemias e superstição. ao mesmo tempo parte do planeta se transforma em mega-empreendimentos ultra-lucrativos: supermercados, shoppings centers, agronegócio, condomínios fechados, grades, muros e câmeras de segurança. os homens e a natureza como um todo são destruídos com rapidez jamais vista.
a política oficial apresenta ainda menos alternativa. que partido político não faz parte da festa suja da corrupção que governa o país? o governo lula, que supostamente representava transformações sociais, é apenas um ótimo agente da barbárie—bolsa família e repressão.
a produção cultural oficial não se opõe a esse processo de destruição, mas aceita e reproduz a barbárie e o shopping. o cinema, a música, o teatro, a arquitetura, se transformam em apenas mais algumas entre as tantas mercadorias da prateleira. avança a "estética" do entretenimento e do shopping. a cultura burguesa reproduz formas velhas e não cria nada novo.
a universidade afunda na privatização e produz conhecimento apenas para as grandes empresas—shopping. para os cursos que não interessam—ruínas. as escolas públicas destruídas—ruínas—se distanciam cada vez mais das particulares—shopping. e para conter a juventude: câmeras, segurança privada, polícia—prisão.
lançar uma frente de produção político-contracultural
estamos reunidos para construir um grupo amplo por uma nova discussão-produção estético-política questionadora.
para se contrapor à crescente barbárie cultural, política e social, ao esvaziamento, à uniformização e mercantilização de todas as expressões culturais, nos propomos a produzir uma arte viva a partir das contradições do nosso tempo.
nesse sentido, nos propomos a retomar posições das vanguardas culturais do começo do século XX e daquelas vinculadas à revolução russa de outubro de 1917, que denunciaram a crise dessa civilização e vislumbraram os caminhos para uma nova, livre. retomamos também as posições culturais antropofágico-moderno-tropicais desenvolvidas no brasil, que apontavam para a superação das barreiras nacionais e defendiam uma arte e uma sociedade brasileira-internacionalista do futuro.
devorar a produção das vanguardas e soltar poemas-bomba no presente. lançar uma nova contra-culturaburguesa, uma produção artística e uma agitação política por outro futuro, contra a barbárie, pelo território livre!
esse manifesto é fruto da reunião de vários grupos culturais, bandas e coletivos que atuam e permanecerão atuando de forma independente, mas buscando fortalecer os laços e as atividades conjuntas. nos propomos a organizar festas, encontros e festivais de contracultura ocupando as escolas, as universidades e as ruas, produzir cartazes, jornais, intervenções, filmes e contaminar toda a cidade com o território livre!
são paulo, abril de 2008